Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Fragmentos...

Fragmentos é uma rubrica do Murmurei ao Vento... onde faço referência a pequenos excertos do livro que estou a ler no momento. Qualquer pessoa pode participar, as regras são simples:
1-Transcrever um excerto (duas a três linhas) do livro que actualmente está a ler e que por alguma razão suscitou-lhe a atenção.
2. Partilhar o nome do autor, livro e número da página para que outros leitores a possam consultar.
3. Não pode conter spoilers.



"Alguma vez imaginaram a que cheira a passagem do tempo? (...) Mofo e amoníaco, uma pitada de alfazema e um belo quinhão de pó, a desintegração em massa de folhas de papel muito antigas. Há algo mais, algo subjacente a tudo, algo a raiar o podre ou o amargo, mas que não cheg a ser nenhum destes odores. Levei algum tempo a deslindar que cheiro era aquele, mas creio agora já saber. É o passado. Pensamentos e sonhos, esperanças e mágoas, que se juntaram, fermentando devagar no ar abafado, incapazes de alguma vez se dissiparem por completo" (p.54).

In As Horas Distantes de Kate Morton

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

O Sabor da Tentação de Elizabeth Hoyt (Opinião)

Sinopse

Lady Emeline Gordon é um modelo de sofisticação nos círculos sociais da elite londrina, sempre elegante e impecavelmente educada. Como tal, é a companhia perfeita para Rebecca, a jovem irmã de um empresário bem sucedido de Boston, que fora soldado nas Colónias. Samuel Hartley pode ser rico, mas as suas maneiras são tão pouco civilizadas como as regiões inexploradas da América nas quais foi criado. Quem vai de mocassins a um baile distinto?
O seu desdém arrogante em relação a decoro enfurece Emeline, embora a sua ousadia a excite. Mas sob os modos desenvoltos de Samuel, ele é assombrado pela tragédia. Foi a Londres para ajustar contas, não para se apaixonar. Mas por muito que Emeline deseje sentir as mãos deste homem despudorado sobre ela, saborear aqueles mesmos lábios com que ele a arrelia, tem se dominar. Ela não é livre. Mas algumas coisas estão fora do controlo de uma senhora...

Li, Senti, Pensei... Uma Opinião

Em O sabor da tentação, Hoyt apresenta-nos a lenda dos quatro soldados, que numa encruzilhada optam por seguir caminhos díspares, conduzindo-os às mais diversas aventuras. Neste livro, conhecemos Coração de Ferro, o soldado que escolhe prosseguir através de uma floresta sombria. As suas aventuras são-nos reveladas em pequenos excertos ao longo do livro, à medida que a autora vai desvendando a história de Emeline e Samuel, entrelaçando as duas narrativas, o que enriquece o livro conferindo-lhe algo de diferente dos últimos romances históricos que tenho lido.

Como casal protagonistas temos Lady Emeline e Samuel. Emeline é uma senhora proeminente na aristocracia inglesa, encarregue de apresentar jovens senhoras à sociedade londrina e assegurar-se que fazem bons casamentos. Mas engana-se quem deixa-se iludir por uma fachada sofisticada e fútil. Por detrás dos seus olhos esconde-se uma mulher inteligente, independente e forte. Na outra ponta do espectro, temos Samuel, um colono “selvagem”, sem qualquer decoro e respeito pelas delicadas regras que regem a sociedade inglesa. Juntos embarcam na busca de respostas para um acontecimento que assombra a vida de Samuel e que envolve o falecido irmão de Emeline. Gostei do facto da autora ter incluído na história vários excertos cheios de ação, mistério e intriga com raptos, suicídios e assassinatos. Tornaram o livro inesperado, conferindo-lhe diferentes dimensões, o que mantem o leitor interessado e cativo.

Segundo uma nota da autora no final do livro, Lady Emeline Gordon e Mr. Samuel Hartley realmente existiram, mas quanto à veracidade do romance entre ambos só podemos especular. De qualquer modo, acho que a autora soube tornar esse romance (fugaz ou não, verídico ou não) em algo especial. Embora a atracão estivesse presente deste o primeiro encontro, o romance aconteceu progressivamente e teve por alicerce interações bem estruturadas que o tornaram mais credível. As próprias personagens estão bem construídas, são mais complexas do que parecem ao primeiro olhar e têm um passado e experiências de vida que sustentam a base que os tornaram em quem são, pelos livros que tenho lido, penso que isto é difícil de conseguir e creio que Hoyt o fez com sucesso.

Uma série que seguirei sem dúvida, mal posso esperar por desvendar os segredos dos outros três soldados. Boas leituras!

Domingo, 20 de Maio de 2012

Fragmentos...

Fragmentos é uma rubrica do Murmurei ao Vento... onde faço referência a pequenos excertos do livro que estou a ler no momento. Qualquer pessoa pode participar, as regras são simples:
1-Transcrever um excerto (duas a três linhas) do livro que actualmente está a ler e que por alguma razão suscitou-lhe a atenção.
2. Partilhar o nome do autor, livro e número da página para que outros leitores a possam consultar.
3. Não pode conter spoilers.


"Silêncio... Consegues ouvi-lo?
As árvores conseguem. São as primeiras a saber que está a chegar.
Escuta! As árvores do bosque profundo e escuro, estremecendo e agitando as folhas como invólucros finos de prata velha; o vento dissimulado, serpendeando pelas copas, sussurrando que não tardará.
As árvores sabem, pois são antiquíssimas e outrora testumunharam tudo isto" (p. 7).

A verdadeira história do Homem de Lama, Raymound Blythe citado no As Horas Distantes de Kate Morton

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Crónica de Paixões e Caprichos da Julia Quinn (Opinião)

Sinopse
As mães casamenteiras da alta sociedade londrina estão ao rubro: Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) duque de Hastings, está de volta a Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo… Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos. Juntos, os jovens decidem fingir um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal…



Li, Senti, Pensei... Uma Opinião

Daphne é a típica rapariga em idade casadoira na Inglaterra do século XVIII, que sonha em fazer um bom casamento e constituir uma grande família. Mas Daphne não se contenta com qualquer um e a posição social, ao contrário das convenções da época, não é o mais importante. Daphne sonha casar por amor. Então, temporada atrás de temporada vê as amigas casarem e aguarda, consciente que o seu tempo está a esgotar e convicta que todos os homens apenas a vêm como uma amiga. Por outro lado, o casamento é a última numa longa lista de prioridades na mente de Simon, duque de Hastings, atraente, rico, altamente elegível e o alvo prefeito para as mães casamenteiras e as suas filhas enfadonhas. De um encontro casual entre estes dois surge uma aliança improvável e controversa, um noivado fictício.

Tratando-se pois de um romance histórico, é de prever o resultado de tão ousada aliança, mas este facto torna-se irrelevante quando o leitor é confrontado com uma história bem construída, que apesar de algo previsível, está cheia de pormenores que a tornam cativante. Para começar, a química entre os protagonistas é credível, o romance surge progressivamente, é possível assistir à mudança de comportamentos/sentimentos, não acontece abruptamente. A relação faz sentido e evolui de forma natural. Outro aspeto que me agradou na relação entre estes dois foram os diálogos. Ao longo da leitura, dei por mim a sorrir perante comentários sarcásticos, mordazes e até inteligentes.

Mas não apenas dos protagonistas se faz esta história, para apimentá-la a autora concebeu um leque de personagens secundárias interessantes. Gostei especialmente de toda a família Bridgerton, de como interagem e como perpetuam valores como a família, o dever e o amor. A autora foi exímia ao descrever os fortes laços de afeto que os unem. E para arrematar os aspetos positivos, ler sobre a sociedade londrina, as suas convenções e intrigas, é para mim sempre um prazer, sendo que a autora não descurou neste âmbito.

Desengane-se quem espera só romance e a inevitável sensualidade que habitualmente caracteriza este tipo de livro. Pois também encontrará mistério e suspense, principalmente em relação ao passado de Simon e alguma ação, nos típicos acertos de contas de cavalheiros da época.

Como aspeto negativo, apenas tenho a apontar que, a dificuldade do Simon em perdoar e conciliar-se consigo e com o seu passado, lá para o fim do livro, já estava a cansar um pouco… mas que homem teimoso… disposto a sabotar o próprio futuro e para quê? Mal podia esperar pela altura em que finalmente permitiu-se sonhar e ser feliz!

Por fim, não posso concluir sem referir que Julia Quinn tem uma escrita fluida, cadenciada, despretensiosa, que envolve o leitor à medida que as várias camadas da história vão sendo desvendadas. Definitivamente tornei-me fã e mal posso esperar para ler os restantes livros desta série. Se a autora conseguir manter a qualidade, é uma série na qual vale a pena investir.

Fragmentos...

Fragmentos é uma rubrica semanal do Murmurei ao Vento... onde faço referência a pequenos excertos do livro que estou a ler no momento. Qualquer pessoa pode participar, as regras são simples:
1-Transcrever um excerto (duas a três linhas) do livro que actualmente está a ler e que por alguma razão suscitou-lhe a atenção.
2. Partilhar o nome do autor, livro e número da página para que outros leitores a possam consultar.
3. Não pode conter spoilers.

 
"Sam continuou a correr, apesar de cicatrizes e memórias. Esse era o ponto que separava aqueles que conseguiam continuar dos que caíam na berma da estrada. O truque era reconhecer a dor. Abraçá-la. A dor mantinha-nos acordados. A dor significava que ainda estávamos vivos" (p. 42).

O sabor da tentação de Elizabeth Hoyt

Domingo, 13 de Maio de 2012

Silêncio de Becca Fitzpatrick (Opinião)

Sinopse:
Nora Grey não consegue lembrar-se do que se passou nos últimos cinco meses. Depois do choque inicial de acordar num cemitério e descobrir que esteve desaparecida durante semanas - sem ninguém saber onde ou com quem estava - tenta tomar o pulso à própria vida. Regressa às aulas, passeia com a melhor amiga Vee e tenta evitar ao máximo o novo namorado da mãe.
Mas há uma voz que lhe ecoa na mente, uma ideia que quase consegue tocar e sentir. Visões de asas de anjo e criaturas sobrenaturais que nada têm que ver com o mundo que conhece.
E não consegue deixar de se sentir perdida e... incompleta.
Então, Nora cruza o caminho de um desconhecido muito sensual com quem partilha uma ligação estranha e muito forte. Ele parece conhecer todas as respostas... e o coração dela. Cada minuto que passa com ele torna-se cada vez mais intenso até que ela se apercebe de que pode estar a apaixonar-se. Novamente.




Li, Senti, Pensei... Uma Opinião

Angustiada, perdida e desorientada, Nora desperta num cemitério sem qualquer recordação dos últimos cinco meses. Confusa, parece que acordou num mundo alternativo, onde a mãe namora o pai da sua arquinimiga de infância, Marcie Miller, onde a sua melhor amiga Vee tem uma aversão a homens, num mundo onde sente que já não é a mesma.
Apesar dos esforços para reintegrar-se, Nora pressente que qualquer coisa não está bem e que lhe estão a mentir. Contra tudo e todos, Nora vai tentar desvendar o mistério do seu desaparecimento e colmatar a amnésia que a incapacita. Assim, é arrastada de novo para o mundo sobrenatural, para o meio de uma guerra entre anjos caídos e nefilim, no qual descobrirá que desempenha um papel fulcral.
Em Silêncio assistimos ao amadurecimento de Nora que deixa para trás muitas das infantilidades que tanto me aborreceram em Crescendo. Neste livro, Nora está mais ponderada, assume a direcção da sua vida e luta por aquilo que quer. Em contrapartida, Pach debate-se no dilema entre afastar-se de Nora, protegendo-a ou assumir de uma vez os seus sentimentos mas expondo-a ao perigo. O que a meu ver é uma perda de tempo, uma vez que, independentemente de afastar-se ou não, o perigo ronda sempre a Nora, não fosse a sua filiação ser quem é.
Em suma, este livro reúne o melhor do mundo fantástico conjugando-o com acção, mistério, suspense e romance em doses equilibradas que cativam o leitor da primeira à última página.
Depois da dificuldade em concluir a leitura de Crescendo, foi com surpresa que me vi a ler compulsivamente a sua continuação em Silêncio. Para mim Becca Fitzpatrick redimiu-se neste livro e é com ansiedade que aguardo a publicação do próximo livro que creio conter o tão aguardado desfecho das aventuras da Nora e do Pach.

Uma imagem por mil palavras...

Hoje é o dia de ser FELIZ!



Podem conhecer o trabalho da Aria aqui.

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Best of Books...Abril

Best of Books... é uma rubrica mensal cá do Murmurei ao Vento que consiste em eleger os melhores livros do mês. Qualquer pessoa pode participar, as regras são simples:
1. Enumerar os livros que leu no mês;
2. Eleger o que mais gostou e explicar porquê;




Este mês li:



Desta vez vou fazer as coisas um pouco diferentes. Vou eleger, o melhor livro, o livro que mais gostei de ler (sim, porque por vezes são coisas completamente diferentes) e o pior.
O melhor livro, com o enredo mais complexo, intenso e criativo, foi decididamente A Rainha Corvo da Jules Watson. Os meus parabéns à autora pela pesquisa e pela forma como conjugou os antigos mitos celtas e a sua imaginação, brilhante!
Por outro lado, o livro que mais prazer deu-me ler, foi sem sombra de dúvida o Highlander – Para além das brumas da Karen M. Moning. Não é definitivamente uma obra-prima, mas também penso que esse não era o objectivo da autora. Contudo é inegável que este livro tem aquela magia própria dos livros escritos unicamente para entreter e, é também verdade que não resisto a um bom romance, então com um toque de magia e misticismo celta, a cereja em cima do bolo!
Pela primeira vez vou eleger o pior livro do mês… Aposta indecente de Matilda Wright. Talvez por ser uma fã assumida de romances históricos e ler regularmente livros pertencentes a este género que posso estar a ser demasiado críticas mas não posso deixar de apontar que este livro foi uma grande desilusão, simplesmente amador!


E vocês? Qual o livro que mais gostaram de ler este mês?

Sábado, 5 de Maio de 2012

Uma imagem por mil palavras...



Mais uma fotografia da autoria da Mary Carroll do blog Little Red House, sou fã das suas fotografias, passem pelo blog e espreitem!

Livros que cobiço...

O Baile dos Deuses da Nora Roberts


Sinopse:Tendo crescido numa família de caçadores de demónios, Blair Murphy tem os seus próprios demónios pessoais com que lidar - o pai treinou-a, mas depois abandonou-a, e o noivo afastou-se após descobrir a sua verdadeira identidade.
Agora vê-se na posição de treinar um feiticeiro da Irlanda do século XII, uma bruxa de Nova Iorque, um erudito e um metamorfo da terra mítica de Geall. Para piorar as coisas, tem que se controlar para não ir à caça do sexto membro do círculo, um vampiro criado por Lilith, a rainha dos vampiros que têm de derrotar.
Não sendo mulher para fugir a uma boa luta, Blair encontra um desafio à sua altura no bonito e galante Larkin, o metamorfo.
Mas um desafio ainda maior serão os confrontos com seguidores de Lilith que irão testá-la até ao limite. Conseguirá Blair manter-se viva tempo o suficiente para derrotar o exército de Lilith? Ou irá ceder à única coisa que jurou nunca mais voltar a sentir


Luz e Sombras da Anne Bishop


Sinopse:
Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam proteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira.
Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…