Sinopse
As mães casamenteiras da alta sociedade londrina estão ao rubro: Simon Bassett,
o atraente (e solteiro!) duque de Hastings, está de volta a Inglaterra. O jovem
aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é
implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…
Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha
ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado
comece já a ser alvo de mexericos. Juntos, os jovens decidem fingir um noivado,
o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da
temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos
rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece
a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um
segredo que pode ser fatal…
Li, Senti, Pensei... Uma Opinião
Daphne é a típica rapariga em idade
casadoira na Inglaterra do século XVIII, que sonha em fazer um bom casamento e
constituir uma grande família. Mas Daphne não se contenta com qualquer um e a
posição social, ao contrário das convenções da época, não é o mais importante.
Daphne sonha casar por amor. Então, temporada atrás de temporada vê as amigas
casarem e aguarda, consciente que o seu tempo está a esgotar e convicta que
todos os homens apenas a vêm como uma amiga. Por outro lado, o casamento é a
última numa longa lista de prioridades na mente de Simon, duque de Hastings, atraente,
rico, altamente elegível e o alvo prefeito para as mães casamenteiras e as suas
filhas enfadonhas. De um encontro casual entre estes dois surge uma aliança
improvável e controversa, um noivado fictício.
Tratando-se pois de um romance
histórico, é de prever o resultado de tão ousada aliança, mas este facto
torna-se irrelevante quando o leitor é confrontado com uma história bem
construída, que apesar de algo previsível, está cheia de pormenores que a
tornam cativante. Para começar, a química entre os protagonistas é credível, o
romance surge progressivamente, é possível assistir à mudança de comportamentos/sentimentos,
não acontece abruptamente. A relação faz sentido e evolui de forma natural.
Outro aspeto que me agradou na relação entre estes dois foram os diálogos. Ao
longo da leitura, dei por mim a sorrir perante comentários sarcásticos, mordazes
e até inteligentes.
Mas não apenas dos protagonistas se
faz esta história, para apimentá-la a autora concebeu um leque de personagens
secundárias interessantes. Gostei especialmente de toda a família Bridgerton, de
como interagem e como perpetuam valores como a família, o dever e o amor. A
autora foi exímia ao descrever os fortes laços de afeto que os unem. E para
arrematar os aspetos positivos, ler sobre a sociedade londrina, as suas
convenções e intrigas, é para mim sempre um prazer, sendo que a autora não descurou
neste âmbito.
Desengane-se quem espera só romance
e a inevitável sensualidade que habitualmente caracteriza este tipo de livro. Pois
também encontrará mistério e suspense, principalmente em relação ao passado de
Simon e alguma ação, nos típicos acertos de contas de cavalheiros da época.
Como aspeto negativo, apenas tenho
a apontar que, a dificuldade do Simon em perdoar e conciliar-se consigo e com o
seu passado, lá para o fim do livro, já estava a cansar um pouco… mas que homem
teimoso… disposto a sabotar o próprio futuro e para quê? Mal podia esperar pela
altura em que finalmente permitiu-se sonhar e ser feliz!
Por fim, não posso concluir sem
referir que Julia Quinn tem uma escrita fluida, cadenciada, despretensiosa, que
envolve o leitor à medida que as várias camadas da história vão sendo
desvendadas. Definitivamente tornei-me fã e mal posso esperar para ler os
restantes livros desta série. Se a autora conseguir manter a qualidade, é uma
série na qual vale a pena investir.